terça-feira, 22 de maio de 2018

Monólogo das mãos

onólogo das mãos

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Fechada e levantada representa força, poder, opinião. Suave como uma bailarina, ela desliza, ela valseia, ela dança, ela medica as chagas, ela enxuga as lágrimas alheias e também as suas escondendo-as por vezes dentro da vergonha da mais profunda solidão da total incapacidade de amar. Mas também com as mãos nós atiramos o beijo, uma pedra, uma flor, uma granada, uma esmola, uma bomba. Com as mãos o agricultor semeia e o anarquista vem e incendeia. Com as mãos, nós construímos o salva-vidas dos canhões, os bálsamos, os instrumentos de tortura, os venenos, os remédios, a arma que fere e o bisturi que salva. Com as mãos o herói impunha a espada e o carrasco acorda. Com as mãos nós tapamos a vista para não ver e é justamente com elas que protegemos a vista para ver melhor. Os olhos dos cegos são as mãos, os mudos falam com as mãos. As mãos na agulheta do submarino leva o homem para o fundo do mar com os peixes e no volante da aeronave atirou-o para o ar com os pássaros. Jesus abençoava com as mãos. O homem para pedir a criatura amada em casamento pede a mão. Agora com um aperto de mãos pode ser o maior pacto de amizade por uma vida inteira. E nos dois extremos da vida quando nascemos para o mundo e quando partimos para sempre ainda são as mãos que prevalecem porque quando nascemos para nos levar a carícia do primeiro beijo são as mãos maternas que nos agasalham e acariciam o corpo pequenininho. E no fim da vida quando os olhos fecham, o corpo gela e os sentidos desaparecem, ainda são as mãos brancas de cera que continuam na morte as funções da vida e a imagem consoladora do Nazareno pregado na cruz vai conosco pra debaixo da terra e nossas mãos cruzadas no peito e as mãos dos amigos nos conduzem e as mãos do coveiro nos enterram.

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